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EM 1994
Os naturistas estão presentes na praia do Abricó desde a década de 1960. Privilegiada por sua geografia, que a torna escondida e quase secreta, Abricó sempre teve preferência para a freqüência naturista por seu acesso fácil. No início, era quase deserta e muito poucos naturistas a conheciam. Este número teve um pequeno aumento na década de 1980, quando, nos dias de semana, dezenas de naturistas eram vistas em suas areias. Havia uma convivência harmoniosa entre os nus e os vestidos e, até mesmo, a polícia confraternizava-se com o grupo. No entanto no início dos anos 90 essa paz foi quebrada repentinamente. Começou a haver repressão e achaque policial aos nus da praia, que foi se intensificando com o passar do tempo. Criou-se um clima de revolta e começaram a surgir sugestões para contornar o problema. Então a idéia de tentar oficializar a prática naturista tomou corpo, incentivado pelo surgimento da praia do Pinho, em Santa Catarina.
Deputados, vereadores e a prefeitura começaram a ser procurados, até que em 1992, um projeto preparado pela RIO-NAT (antiga associação naturista do Rio) e por Pedro Ribeiro, freqüentador do Abricó, foi entregue à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, para estudar o caso. Dois anos se passaram e, em 30 de novembro de 1994, o secretário de meio ambiente Alfredo Sirkis assinou a Resolução que permitia a prática do Naturismo, ressalvando o direito à freqüência dos não praticantes. Ou seja, em Abricó iriam conviver pelados e vestidos numa boa. Mas um advogado, ex-seminarista, pouco se importando com os direitos civis de minorias, apenas com o intuito de aparecer na mídia, apelou para o Código Penal - o danado que dá margem a todo tipo de barbaridade - mais especificamente ao artigo 233 que, dependendo da interpretação, pode considerar ultraje ao sentimento coletivo de pudor estar sem roupa em local público, alegando que ao município do Rio não tinha direito de incentivar a imoralidade pública, entrou com uma ação na 7ª Vara de Fazenda Pública pedindo a cassação do espaço dos naturistas. Um juiz, uma semana depois de abertura, concedeu uma liminar proibindo a prática do naturismo em Abricó. Alfredo Sirkis, que deu carta branca ao projeto, ficou arrasado: "esses senhores estão expondo o Rio de Janeiro ao ridículo, querendo transformá-lo numa província islâmica".
As tentativas para cassar a liminar, por parte da prefeitura e da Rio-NAT, foram frustradas. Assim, a praia ficou proibida até março de 2001, quando, no julgamento do Mérito, fomos vitoriosos em 1ª Instância.
EM 2001
Haviam passado mais de seis anos de briga na Justiça e o Naturismo saiu vitorioso e retornara as areias da Praia do abricó, no Recreio dos Bandeirantes.
"Na semana passada, a ação popular movida pelo advogado Fulano de tal, em dezembro de 1994, contra a prática do Naturismo no local, foi julgada na 7ª Vara de Fazenda Pública e considerada improcedente", anunciava o jornal O DIA na ocasião, e nós vencemos. Portanto, voltou a valer a determinação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente que, à época, reconhecera Abricó, localizada entre Prainha e Grumari, como praia oficial do nudismo.
Nosso paraíso funcionou até junho do mesmo ano, pois o não-satisfeito advogado recorreu da sentença e entrou com nova ação e, incrivelmente, conseguiu uma nova liminar, que mais uma vez tirou a praia do Abricó dos Naturistas. Novas tentativas frustradas de derrubar mais esta ação esdrúxula quase nos fizeram perder a esperança de reaver a praia para o naturismo.
EM 2003

Após a brilhante argumentação do advogado, procurador do município, Luiz Roberto da Matta, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, julgou o Mérito da questão a nosso favor, por 4 votos a 1, derrotando mais uma vez o famoso advogado exibicionista, no dia 30 de setembro de 2003.
Neste momento a praia do Abricó está totalmente liberada para o naturismo convida a todos para nos visitarem. Sempre estaremos de braços abertos para receber aqueles que tiverem um comportamento digno e respeitoso com os outros naturistas, com o meio-ambiente e consigo próprio.
Nós naturistas ressaltamos, que queremos um espaço democrático, onde todos possam vir, respeitando as normas éticas de conduta, sendo naturistas ou não.
fotos: Acervo Folha
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